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Quanto custa a hora ociosa no seu escritório contábil

A conta que a maioria faz — salário dividido por horas — subestima o custo pela metade. E a maior parte do desperdício não é o que se imagina.

Gestão 3 min de leitura

“Hora ociosa” é uma expressão que atrapalha mais do que ajuda, porque sugere gente parada. Na prática, quase todo o desperdício em escritório contábil acontece com a pessoa ocupada — fazendo trabalho que não precisava existir.

Mas para dimensionar isso é preciso saber quanto custa uma hora.

O custo real de uma hora

A conta comum é salário dividido por 220 horas. Ela erra por uma margem grande, porque ignora encargos, benefícios e — o mais esquecido — que ninguém trabalha 220 horas produtivas por mês.

A estrutura correta, com valores de exemplo para um analista fiscal hipotético:

ComponenteExemplo mensal
SalárioR$ 3.500
Encargos, provisões de férias e 13ºR$ 2.450
Benefícios (VT, VR, plano)R$ 800
Rateio de estrutura (posto, software, energia)R$ 600
Custo totalR$ 7.350

O divisor também não é 220. Descontando férias, feriados, faltas e o tempo legítimo que não é tarefa — reunião, treinamento, pausa — sobra algo próximo de 150 horas efetivas por mês.

R$ 7.350 ÷ 150 = R$ 49 por hora. A conta ingênua daria R$ 16. Três vezes menos.

Use os seus números

Os valores acima são ilustrativos. A estrutura é o que importa: custo total dividido por horas efetivas, nunca salário dividido por horas contratuais.

Onde o tempo realmente vai

Com a hora precificada, dá para dimensionar cada tipo de desperdício. Os quatro que mais aparecem em escritório contábil:

Transporte manual de dado

Copiar de um sistema para uma planilha, e da planilha para outro sistema. Aparece como alternância repetitiva entre as mesmas ferramentas, dia após dia. É o mais caro e o mais invisível — ninguém registra “passei 40 minutos copiando dado” na planilha de horas.

Retrabalho

O mesmo documento reaberto três vezes porque a conferência acontece tarde demais na cadeia. Custa duas vezes: o tempo refeito e o atraso que ele empurra para a frente.

Fragmentação

Aqui a conta é menos óbvia. Cada interrupção cobra o tempo dela mais o custo de recuperar o contexto. Numa tarefa de conferência, retomar a linha de raciocínio depois de uma interrupção leva vários minutos — e às vezes o erro que passa despercebido nasce exatamente aí.

Espera

Documento do cliente que não chegou, aprovação pendente, sistema fora do ar. Não é ociosidade de quem espera: é gargalo de processo. Some quando o processo muda, não quando alguém cobra a pessoa.

A conta que decide investimento

Com a hora precificada, decisões de automação deixam de ser palpite.

Suponha que a medição mostre 45 minutos por dia de transporte manual de dado, por analista, num time de seis pessoas:

Nenhuma dessas horas aparece como ociosidade. Todas aparecem como gente trabalhando duro.

A armadilha da conversa individual

É tentador levar esse número para uma conversa com uma pessoa específica. Não faça — por dois motivos.

O primeiro é que quase todo desperdício desse tipo é de processo: a pessoa copia dado porque não existe integração, não porque escolheu copiar. O segundo é o efeito: cobrado individualmente pelo tempo em cada ferramenta, o time aprende a produzir o número certo. E aí você perdeu a medição.

O dado serve para mudar o processo. Quando ele vira cobrança individual, ele para de ser verdadeiro — e você fica sem os dois.

Sobre o que vale a pena acompanhar, veja o que medir e o que ignorar.

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