Monitora Contábil

InícioBlog

Como escolher um software de monitoramento: 7 perguntas

A maioria das ferramentas do mercado foi desenhada num contexto legal diferente do brasileiro. Sete perguntas revelam isso antes da assinatura.

Gestão 3 min de leitura

Há dezenas de ferramentas de monitoramento no mercado, e a maior parte nasceu em outro contexto legal — onde captura de tela periódica e gravação de sessão são práticas comuns. Trazer isso para uma empresa brasileira é importar um passivo.

Estas sete perguntas resolvem a triagem antes da demonstração comercial.

1. O que ele captura, item por item?

Peça a lista completa, por escrito. As respostas que devem acender alerta:

RecursoLeitura
Captura de tela periódicaAlta invasividade. Captura dado de cliente e dado sensível por tabela
Gravação de sessão em vídeoMesmo problema, multiplicado
Registro do conteúdo digitadoCaptura senha pessoal e conversa privada. Difícil de justificar
Acesso à webcamSem justificativa em trabalho administrativo
Contagem de teclas e cliquesAceitável: mede atividade sem conteúdo
Programa e site em foco, com tempoO núcleo útil da medição

Se o fornecedor tratar “o que não coletamos” como pergunta incômoda, isso já é a resposta.

2. Dá para desligar o que não interessa?

Recurso invasivo que não pode ser desligado é recurso que você vai ter que declarar na sua política — e defender numa fiscalização. Ferramenta madura permite escolher; e o que ela faz por padrão diz muito sobre a mentalidade de quem a construiu.

3. Onde os dados ficam, e por quanto tempo?

Retenção infinita é o padrão de muitas ferramentas, e é incompatível com o art. 15 da LGPD.

4. Como ele responde a um pedido do titular?

Um colaborador pede para ver tudo o que foi registrado sobre ele. Quanto tempo leva? Se a resposta envolver abrir chamado com o fornecedor e esperar dias, o processo vai falhar na primeira vez que for usado — e o prazo do art. 18 é seu, não do fornecedor.

5. Ele produz ranking e nota individual?

Ferramentas que atribuem “produtividade: 73/100” a cada pessoa vendem bem e fazem estrago. O número parece objetivo, esconde o método, e vira base para decisão sobre a carreira de alguém.

Pergunte também se há qualquer inferência sobre estado emocional ou saúde mental. Se houver, você passou a tratar dado sensível — outra categoria da LGPD, com exigências muito mais duras.

6. O que acontece quando ele não consegue medir?

Pergunta técnica que revela a honestidade do produto. Quando o agente não identifica o que está em foco, aquele tempo vira zero na conta, ou fica de fora como “não medido”?

Ferramenta que transforma ausência de medição em zero produz relatório dizendo que alguém não trabalhou num dia em que ela apenas não conseguiu enxergar. E esse relatório vai chegar na mesa de um gestor.

7. Ele ajuda na implantação, ou só entrega o instalador?

A implantação correta é o que separa dado confiável de teatro. Fornecedor que entrega apenas o executável está deixando com você a parte que dá processo: comunicado, política, termo de ciência, condução da reunião.

Uma pergunta bônus, específica do seu setor

Se você é escritório contábil: o catálogo já vem curado? Uma ferramenta genérica não sabe que e-CAC, SPED, eSocial, Sefaz e o sistema contábil são trabalho — e alguém do seu time vai passar horas classificando centenas de aplicativos e sites na mão. É nessa tela que a implantação costuma morrer.

A regra de bolso

Escolha a ferramenta menos invasiva que responde à sua pergunta de gestão. Capacidade que você não usa não fica neutra: ela precisa ser declarada, defendida e protegida — e é ela que vai aparecer no dia do incidente.

Leia também